SOBRE AS BAUNILHAS

É entre os jequitibás, tamanduás, araçás, bichos-preguiça e jacarandás que crescem nossas “orquídeas comestíveis”. Sim, a baunilha é um gênero de orquídea! Ao todo, são conhecidas aproximadamente 110 espécies do gênero Vanilla. Entre 30 e 40 espécies possuem frutos aromáticos e são comestíveis.

Reconhecida com o aroma predileto da humanidade, segundo pesquisa internacional (The perception of odor pleasantness is shared across cultures), a baunilha é considerada a segunda especiaria mais cara do mundo, perdendo apenas para o pistilo da flor do açafrão (Crocus sativus).

E por que a baunilha é tão cara?

As etapas desde o plantio até a fava curada ou produto final requer um longo tempo e um trabalho praticamente artesanal.

Para um plantio recém-estabelecido, o prazo para a primeira frutificação, desde o momento do plantio da muda ainda jovem até a primeira florada (em sua fase adulta), é de aproximadamente 5 anos. No momento da florada, é necessário fazer a polinização manual a cada flor para que ocorra o nascimento do fruto. Para obter um fruto de qualidade, orienta-se colhê-lo após 9 meses, ainda verde (fruto verde não possui sabor ou cheiro). E é no processo de cura (que é uma sabedoria ancestral, ainda com pouco conhecimento científico), que leva em torno de 6 meses, que a fava chega em seu processo final para ser consumida.

Como funciona?

Fornecimento de mudas

Existe pouco trabalho de cultivo in vitro das espécies de Vanilla. A maior parte das mudas são extraídas da natureza, e muitas vezes de forma indevida retirando a planta como um todo sem deixar a matriz para novo crescimento e floração, levando ao desmatamento e extinção da espécie na natureza.

NATURAL X SINTÉTICA

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Qual a diferença de aroma e sabor entre a baunilha natural e a baunilha sintética?

A baunilha natural e a sintética diferem bastante em termos de aroma e sabor devido à complexidade dos compostos presentes na versão natural em comparação com a versão produzida artificialmente.

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O extrato que você consome é natural?

Infelizmente, a maior parte dos “ditos” extratos do mercado não são naturais e possuem aditivos sintéticos, o famoso aroma sintético idêntico ao natural.

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Extrato Natural da Baunilha

Extraído das favas (ou conhecidas como vagens), passam por um processo de cura que resulta na formação dos compostos aromáticos.

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Essência sintética de Baunilha

É produzida quimicamente a partir de lignina (um subproduto da madeira) ou do guaiacol, um composto derivado do petróleo, essas são as fontes que se obtém a reprodução deste aroma chamado de idêntico ao natural.

O sabor da baunilha natural é geralmente mais persistente e evolui na boca. Já a baunilha sintética tende a ter um sabor mais simples e menos duradouro.

A baunilha natural é mais cara devido ao trabalho intensivo necessário para cultivar, polinizar e curar as vagens. A versão sintética, por ser uma matéria-prima mais barata, é amplamente usada em produtos processados e industrializados.

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Buquê aromático: entenda o verdadeiro aroma das espécies de baunilha

O aroma da baunilha natural é complexo e rico. Ele contém mais de 250 compostos voláteis que contribuem para o perfil sensorial, incluindo a vanilina, além de notas florais, frutadas e amadeiradas. Isso faz com que seu sabor seja mais profundo, quente, doce e com nuances que a tornam especial e única. A baunilha natural proporciona uma experiência sensorial mais sofisticada, com um sabor que evolui ao longo do tempo.

Seu principal componente é a vanilina, que é o composto responsável pelo sabor e aroma característicos da baunilha, mas sem a contribuição primordial do buquê das outras substâncias que dão à baunilha natural tanta complexidade sensorial.

ESPÉCIES E DESCRIÇÃO OLFATIVA

Espécies de Baunilhas no mundo

A espécie amplamente conhecida e com maior demanda de mercado é a 1. Vanilla planifolia. É desta espécie que vem o conhecido e característico aroma de “baunilha”.

Espécies de Baunilhas no Brasil

Cinco espécies são consideradas de valor econômico atual ou de uso potencial, que são elas: 1. Vanilla Pompona, 2. Vanilla phaeantha, 3. Vanilla chamissonis, 4. Vanilla Comlumbiana, 5. Vanilla cribbiana.

Vanilla planifolia

Nome científico

Vanilla planifolia

Nome popular

Baunilha de Madagascar ou Baunilha do México

Esta baunilha possui aroma caracteristicamente doce, envolvente com toque de caramelo e aroma floral Esta espécie de vanilla é a detentora do conhecido aroma de baunilha, amplamente conhecido por todos.

sobre

Com favas de aproximadamente 20 cm, é a baunilha mais conhecida no mundo gastronômico, com raízes na América Central, levada à Europa no século XVI e, posteriormente, cultivada nas colônias do Oceano Índico, no final do século XVIII.

Descrição olfativa

Seu aroma inconfundível é uma sinfonia de complexidade: notas fenólicas, amadeiradas, balsâmicas e um fundo de caramelo cremoso. A alta concentração de vanilina faz desta baunilha a escolha ideal para criações clássicas e contemporâneas.

Texto e descritivos aromáticos escritos pelo perfumista Pablo Lizárraga.

Vanilla pompona

Nome científico

Vanilla pompona

Nome popular

Baunilha do Cerrado ou Baunilha Banana

sobre

A Vanilla pompona é uma espécie nativa brasileira, porém não é exclusiva do Brasil, tendo registro em outros países da América Latina. Encontra-se especialmente em ambientes da Amazônia e Cerrado, impressionando pelo comprimento e pela largura de suas favas, que podem atingir tamanhos superiores a 16 cm. Esta baunilha é uma iguaria brasileira, sendo conhecida como baunilha, banana ou baunilha do cerrado.

Descrição olfativa

Ela traz uma doçura sutil combinada com um toque herbáceo, fresco e aroma amadeirado. Pesquisas indicam que seu aroma é ainda mais bem aceito do que o aroma da Baunilha de Madagascar.

Texto e descritivos aromáticos escritos pelo perfumista Pablo Lizárraga.

Curiosidades

Diferente da baunilha mais conhecida, a Vanilla planifolia, cultivada principalmente em Madagascar, a Vanilla pompona é menos explorada comercialmente, porém possui um grande potencial gastronômico e aos perfumistas devido às questões culturais.

Sua riqueza aromática a torna um ingrediente cobiçado por chefs que buscam elevar suas criações a níveis extraordinários. Destaca-se pelo aroma intenso e diferenciado, com notas mais amadeiradas e encorpadas em relação à baunilha tradicional.

O movimento Slow Food se conecta diretamente com a valorização da baunilha do Cerrado. Fundado na Itália na década de 1980, o Slow Food surgiu como uma resposta ao crescimento da fast food e ao declínio das tradições alimentares locais.

A filosofia do movimento defende o consumo de alimentos de qualidade, produzidos de forma sustentável e com respeito à cultura local e ao meio ambiente. Ele apoia a preservação de saberes tradicionais, o manejo sustentável e o fortalecimento das economias locais. Uma das formas de atuação do movimento é a“Arca do Gosto”, que é um catálogo mundial que identifica, localiza, descreve e divulga alimentos especiais ameaçados de extinção.

A Baunilha do Cerrado já foi catalogada na “Arca do Gosto” porque reflete a diversidade e o patrimônio culinário de uma região brasileira e simboliza a resistência à padronização dos sabores e à degradação ambiental, oferecendo uma alternativa que celebra a identidade e a biodiversidade do Cerrado brasileiro.

Vanilla phaeanta

Nome científico

Vanilla phaeanta

Nome popular

Desconhecido

sobre

Medindo cerca de 13 cm, esta baunilha é uma preciosidade endêmica do Brasil, encontrada nos biomas da Caatinga, Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.

Descrição olfativa

Esta baunilha se destaca por suas notas etéreas e frutadas de ameixa seca, com uma nuance amadeirada que complementa sua complexidade. É perfeita para pratos que pedem uma assinatura aromática marcante e inesquecível.

Texto e descritivos aromáticos escritos pelo perfumista Pablo Lizárraga.

Vanilla cribbiana

Nome científico

Vanilla cribbiana

Nome popular

Desconhecido

sobre

Medindo cerca de 10 cm, esta baunilha é originária da América Central, atualmente ocorre em alguns estados do Brasil, como Pará e Mato Grosso.

Descrição olfativa

Esta joia rara da natureza encanta chefs com seu perfil aromático fascinante. Notas sutis de açúcar mascavo, toques balsâmicos e uma leve nuance de tabaco fazem desta baunilha uma escolha diferenciada para criar sobremesas e pratos sofisticados, realçando sabores de forma única.

Texto e descritivos aromáticos escritos pelo perfumista Pablo Lizárraga.

Vanilla chamissonis

Nome científico

Vanilla chamissonis

Nome popular

Desconhecido

Vanilla Columbiana

Nome científico

Vanilla Comlumbiana

Nome popular

Desconhecido